segunda-feira, 8 de abril de 2019

ARGILOTERAPIA: CLEÓPATRA USAVA, E ABUSAVA


imagine-se vivendo a sensação de fazer um detox e restauração da pele com uma aplicação de argila, durante um banho de floresta. Simplesmente, indescritível !!!


A experiência de passar por um banho-de-argila é, simplesmente, indescritível. Só quem já viveu a sensação de massagear, delicadamente a pele, com pequenas bolinhas dessa lama medicinal, pode entender sobre o que estamos falando: sim, a argiloterapia trás uma sensação imediata de desestresse, mas de uma profunda reconexão com a mãe-natureza. Não é a toa que se trata de uma tradição milenar, ancestral, muito provavelmente usada até pelos homens mais antigos do planeta, aqueles que habitavam as cavernas, para se livrarem das coceiras das picadas de insetos, das agruras causadas pela falta de banho e higiene, e do cansaço das longas e exaustivas jornadas, em busca de comida e de abrigo.

Entretanto, os registros mais antigos da argiloterapia datam dos tempos de Cléopatra, a famosérrima rainha do Egito que, entre outras  substâncias miraculosas para a eternização da juventude, como leite-de-cabra, que ela usava nos seus intermináveis banhos de culto à  beleza, a argila era um dos seus hidratantes preferidos. Emoliente, sedosa ao contato com os dedos e as mãos, a argila tem propriedades terapêuticas que devolvem ao corpo, uma incrível sensação de bem-estar, portanto, muito indicada para o detox do estresse, causado pelo excesso de poluição das grandes cidades: auditiva, sonora e visual, sem contar a extrema poluição das nossas águas.


Casa Bacarirá: construída há 40 anos, com a proposta de ser um oásis para quem chega estressado da cidade grande, um lugar de acolhimento e aconchego.


Mas onde encontrar, próximo de São Paulo, um lugar que ofereça essa espécie de poção mágica para a cura dos males do corpo, da alma, e de quebra, propiciar uma reconexão com a natureza, o meio-ambiente, o nosso eu-divino, devolvendo-nos a nossa plenitude, em forma de energia prânica? Esse lugar existe e, embora apelidado de Jardim Secreto, por sua anfitriã, Sofia Widmer, chama-se Casa Bacarirá e está localizada há duas horas de São Paulo, tanto pelas rodovias Imigrantes como Anchieta, no Sertão do Cacau, em Camburi, litoral norte de São Paulo.

Eu já frequento a Casa Bacarirá  há uma década, como resultado das minhas jornadas interiores, em busca de paz, silêncio, acolhimento e reconexão com a natureza, por meio de banhos de floresta, como os propostos, durante as sessões de argiloterapia. O local é um antigo hostel, fundado há 40 anos pelo ecólogo alemão Frederico Widmer, que comprou e preservou intacta toda a área de Mata Atlântica, onde construiu o imóvel, que agora foi renomeado de Casa Bacarirá, justamente em homenagem ao rio, que leva esse nome e que corre nos fundos da propriedade. Ali, Frederico e a filha Sofia construíram o que eles chamam de Jardim Secreto – um trechinho bem estreito do rio, muito raso, com águas transparentes que deixam à mostra o seu fundo, repleto de pedras brancas e leitosas, e pequenas quedas dágua, que formam micro-cachoeiras:  verdadeiras e muito refrescantes jacuzzis naturais. Ao entrar e deitar-se nelas, a sensação é de completo e imediato relaxamento, desestresse total e reconexão ao nosso eu primordial, ao deus ou deusa, nossa mãe natureza enfim, independentemente de qualquer religião que se tenha.

Banho de floresta, com argiloterapia: 

sensação de frescor,por dentro e por fora. 

Reconexão total com a natureza


Porém, nada se compara ao que vem antes desse mergulho, proposto por Sofia, nos seus banhos-de-floresta, nos pacotes de finais de semana, se o hóspede ou visitante da pousada deixar-se envolver por essa experiência única, causada pelo banho de argila. É possível descrevê-la, mas palavras não são suficientes para garantir o mesmo êxtase. É preciso provar desse mergulho, de corpo inteiro: primeiro, massagear a pele, densamente, com os punhados de argila retirados das beiradas do rio Bacarirá. Sofia em geral acompanha esses banhos, e ela mesmo indica para a pessoa onde irá  retirar os punhados de argila, que é uma substância muito diferente da areia do fundo do rio. “A argila é outra coisa, parece um creme hidratante fabricado e fornecido diretamente pela natureza, sem passar por nenhum processo de emulsificação, corantes ou conservantes que não sejam os de sua própria constituição milenar”, diz ela.

De fato, as características da argila são muito singulares. À primeira vista, para quem ignora os seus benefícios à saúde – tanto do corpo quanto da alma – o banhista pode até sentir uma certa repulsa, pensando: “ah, não, não vou me sujar ou me banhar nessa lama, não”. Acontece, que não se trata de lama, nem de areia, pois argila é outra coisa. Ela existe na natureza, em lugares extremamente limpos, livres de qualquer impureza ou contaminação, só encontrados, portanto, e infelizmente, em pouquíssimas regiões do planeta. Lugares como o Rio Bacarirá, que ainda serpenteia  livre, leve e solto ali pelo Sertão do Cacau, protegido pela exuberante Mata Atlântica, graças a ações de pessoas como Frederico Widmer, o fundador da Casa Bacarirá,  são cada vez mais raros e sagrados, no planeta Terra. 

Casa Bacarirá: proposta de aconchego. Ecólogo recém chegado da Alemanha, há 40 anos, ele conta que ficou extasiado com a excentricidade daquela mata que ainda parecia primitiva, como a de 500 anos atrás, antes dos colonizadores portugueses aportarem por aqui e começarem o processo de destruição de nossas florestas que se perpetua, até hoje. Identificado e integrado àquele ambiente com uma das maiores e mais ricas biodiversidades do planeta, ali ele decidiu erigir a sua história em terras brasileiras, dedicando a sua vida, e a de sua família, a sua preservação.  Não foi por outra razão que ele, a esposa Regina Valentim, e os filhos Sofia, Helena, Wagner e Francisco, transformaram a própria casa em uma hospedaria que proporcionava mais que abrigo: proporcionava acolhimento e aconchego. Daí, para o surgimento do banho-de-floresta, hoje incluso nos pacotes de weekends, foi apenas o resultado de imersão de toda a família,nesse habitat miraculoso e que agora, eles fazem questão de compartilhar com os hóspedes e amigos da casa. 

Nesse sentido, o banho-de-argila é como se fosse a cereja do bolo. Mas é ainda muito mais do que isso. Suas condições medicinais vão muito além do desestresse, da profunda hidratação da pele, indicada, por isso mesmo, para a recuperação da tonicidade dos músculos, da adstringência que dissolve gorduras e diminui medidas e, pasme-se, como se tudo isso já não bastasse, a argila ainda contém efeitos medicinais que propõem, se não a cura -- o que logo será comprovada com uma análise técnica do material -- pelo menos, de um grande alívio de doenças crônicas da pele, como a dermatite tópica.

Euzinha aqui sou testemunha disso. Há dois anos vinha sofrendo com o problema, em ambos os braços, já desesperada porquê estava ferindo toda a pele, além da coceira insuportável, gastando horrores com cremes antialérgicos e me perdendo em périplos por consultórios dermatológicos, cujos médicos sempre diziam que a dermatite é causada por fatores emocionais, muito difíceis ou até mesmo impossíveis de serem descobertos, portanto, sem tratamentos específicos. Qual não foi a minha surpresa ao visitar a Casa Bacarirá, no último final de semana, para um dos meus retiros psico-físico-emocionais que já entraram para o meu "guia das mil e uma maneiras de recarregar as baterias", próximo de São Paulo,  quando Sofia me propôs "conhecer o seu Jardim Secreto " e, de quebra, ainda levar o brinde do banho de argila. Preciso dizer que os sintomas da dermatite desapareceram, por completo, com uma uniquíssima imersão? 

Rio Bacarirá, que ainda serpenteia  livre, leve e solto ali pelo Sertão do Cacau, protegido pela exuberante Mata Atlântica,

Sim, preciso, porquê sei que não é fácil acreditar em milagres, sei o que as pessoas passam procurando pelo menos um alívio para esses sintomas horríveis, sei o que crianças e mães vivem,  sofrendo com essas dermatites cabulosas, portanto, tenho sim que compartilhar essa minha vivência, aqui nesse blog, que, coincidência dos deuses, nasceu com esse propósito – resgatar tudo o que era conhecido e usado pelos nossos queridos ancestrais, ou mesmo pelos nossos indígenas ou amadas benzedeiras, incluindo as nossas avuelas e madressitas, e oferecidos de graça, pela nossa terra deusa-mãe-natureza. Não é por outra razão, que ele foi batizado com esse nome: Cleópatra Usava..., no registro de seu domínio em 2010. 

Nota de rodapé: 
Com eu dividi o meu trabalho de literatura e jornalismo em diversos blogs, acabei importando as publicações daqui, para outros domínios, como o Benvindo ao Prato de Cerejas, Cadê o  Meu Lorax, Quero o Meu Sutiã de volta, etc...etc...etc...parece que está nascendo um livro aí, com uma seleção dos melhores posts de cada um deles, mas ainda não sei com que nome vou batizá-lo. Mas isso já é tema para outro post. 
Por enquanto, imagine-se vivendo a sensação de fazer um detox e restauração da pele com uma aplicação de argila, durante um banho de floresta. È a experiência mais incxrível que eu tenho para compartilhar com você, neste momento. E o que eu mais amo fazer nesta vida que é conjugar o verbo compartilhar,